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O que é isto?
 
 
Além do Óbvio e Ululante que Pulula Mentes Humanas



Visões sem foco

AVISO: Se pretende ver o filme "Visões" não leia esse texto, mas se a curiosidade for maior, fazer o quê.hehehe

 

Domingo passado, toca o telefone e o convite para ir ao cinema ver "Visões", mais um filme de terror oriental que chega na esteira de "O Chamado", "O Grito",  só que na tentativa de seguir a mesma fórmulinha que fez o nome dos dois anteriores, a dupla de diretores se perde e estraga uma premissa interessante do filme que seria como é encarada a reencarnação e o mundo dos espíritos sob o dogma budista, só não é pior que a Cartilhinha do Politicamente Correto do nosso não tão óbvio e ululante governo Lula.

O título em inglês já denunciava a bomba "Eye 2", quer dizer, existe um anterior que não tiveram coragem de exibir nos cinemas nacionais, a heroína Joey Cheng (a bela atriz Shun Qi) surge na tela com a cara de quem deveria ter sido trancada em um hospício por tempo indeterminado, ela tenta cometer suicídio, em vão, devido ao fim do seu 3º relacionamento seguido e aqui inicia-se a história, segundo os preceitos apresentados no filme o budismo acredita que todos os seres humanos tem a capacidade de ver espíritos desde que nascem, mas que com a idade essa capacidade vai sendo suprimida, só voltando a ser reativada quando passamos chegamos perto da morte ou quando a mulher está para dar a luz, pois são espíritos à espera de reencarnar, estão por todo lugar, dividem o mundo conosco, bem além de suicida frustrada, Joey, também está grávida e seu ex nem quer atender seus telefonemas, com tudo isso temos uma protagonista fraca, que sofre claramente com a sua incapacidade de superar seus problemas e agora é atormentada pelas visões de pessoas mortas e é perseguida sempre pelo fantasma da mesma mulher, só que os mortos desse filme não falam, salvo uma exceção, e quase sempre tem um aspecto cinza e nada mais, a direção erra a mão por não se definir entre o terror e o suspense, o volume da música aumentando na tentativa de criar um clima de medo e apreensão em algumas cenas não surte efeito, pois sempre que aplicado, a cena nada traz de assustador, a maioria das vezes nem os fantasamas aparecem, a direção utiliza efeitos idênticos ao fantasma de "O Grito" em uma cena de parto no elevador para mostrar uma reencarnação. Sem saber mais o que fazer a desequilibrada protagonista resolve descobrir de quem é o fantasma que a persegue e surpresa, a dita cuja é a ex-mulher do pai de sua filha, que se matou porque ele tinha uma amante, Joey.

E agora chegamos ao clímax, quando Joey vai para o hospital ter seu filho e vendo um espírito tentando reencarnar como o bebê de sua companheira de quarto entra em pânico e resolve tomar uma atitude, diga-se de passagem essa garota acha que toda a resposta pra qualquer problema é se matar, pois a beldade sobe no alto do hospital para pular e proteger a filha do espírito da mulher, nesse ponto tanto o roteiro quanto a direção transformam o filme em comédia, a garota pula, no meio da queda percebe-se a troca por um boneco, o impacto no solo soa como o barulho de um ovo no chão, a platéia não resiste gargalhadas, close na suicida, ela ainda está viva, se arrasta literalmente para o alto do hospital de novo, isso sem que ninguém a veja cair ou voltar rastejando pra dentro, acompanhada apenas pelo fantasma, vazando mais sangue do que realmente tem no corpo humano e mesmo sem conseguir mexer as pernas pra andar, ela fica de pé na beira do telhado novamente e pula e de novo não morre, pior está para tentar de novo, quando finalmente o espírito abre a boca: " Eu não posso deixar você morrer. Só quero que me deixe esquecer tudo, por favor." Pois a indestrutível Joey, concinte e para nossa surpresa, mesmo depois do parto ela continua viva só com uma perna e o braço engessados, aí fica impossível levar a sério a cena final com os espíritos espalhados pela sala de pré-natal.

Depois dessa visão de filme, com a visão de governo e de país que tem nossos não óbvios e não ululantes políticos, talvez o melhor seja ter uma visão além do alcançe como o Lion dos Thundercats, se bem que isso dependia de um olho vermelho que quando abria, fazia crescer uma certa espada justiceira, er, melhor não isso ficaria muito suspeito, acho que talvez ser cego como o Demolidor seja o melhor, porque além de ter namorado só mulher o bonita, o herói dos quadrinhos tinha uma visão e tanto, afinal sua mais duradoura namorada, Karen Page, era uma ex-atriz pornô, que não sabia estar contaminada pelo HIV, e durante quase 10 anos de relação o Demolidor nunca fez sexo sem camisinha com ela, ou seja, isso é que ter um visão além do alcance, ou ele também tem um fator de cura, como quase todos os heróis tem aparecido com essa antiga exclusividade do Wolverine, até o Homem de Ferro tem, só que o dele chama fator de solda, qualquer dano ele solda e depois querem convencer que a vida de playboy, multibilionário, super-herói, cercado de mulheres em roupas diminutas é soda.

Soda é você gostar de alguém que não mora perto, ter que passar sua tarde fria de domingo assistindo "Visões", não ter um centavo no bolso, voltar a pé a noite pra casa, isso sim é soda e sem gelo que acho que me gripei com a friagem. Aaaatchimmm!!!!



Escrito por Dark às 17h03
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Metafísica, religião e uma viagem de Metrô

Gabriel era um rapaz comum, como todos esses que estão por aí, tanto poderia ser eu, você, seu vizinho, ou qualquer pessoa com quem você cruza na rua, no metrô, no ônibus ou num toldo de bar sob uma chuva miserável. Sua vida não tinha nada demais, aliás até que era uma boa vida, ele trabalhava, estudava quando tinha dinheiro, quando não, trancava o curso, tinha seus amores e desilusões, seu sonhos, ganhos e perdas, levava um dia de cada vez, mas nunca reclamava de nada, pelo menos não verbalmente, vivia com suas dúvidas pra si, se recusava a pedir qualquer coisa, os problemas eram dele, competia a ele resolver, nada porém o tinha preparado para o que lhe esperava no final daquele dia.

Como todos os dias Gabriel acordara, pensara em ficar dormindo, mas como estava de bom humor e por costume foi trabalhar, teve um dia normal no trabalho, muito serviço, boas risadas, se aprontava para por seus planos finalmente em prática, resolver pendências na faculdade, conquistar mais um pouco o seu amor, só esperava o fim do expediente, foi quando o telefone tocou era uma amiga contando que a faculdade fechara, nenhuma negociação nova seria feita mais, cursos trancados não poderia ser retomados, tudo parado até segunda ordem, isso não era um balde, era uma caixa d'água inteira e fria sobre sua cabeça, perdera o rumo do que fazer, no caminho pra casa em frente a rodoviária sentiu gana de comprar uma passagem e sumir por aí, afinal sempre que planejava algo aquilo não saia, quando agia por impulso até que as coisas rolavam, mas quando era planejado, que todos os buracos eram tapados, que sua confiança ficava no alto, algo demolia o seu castelo de cartas.

Como não tinha mais jeito no fim do dia ele pegou o metrô e retornou pra casa e foi nessa viagem que ele encontrou duas figuras muito estranhas, uma era uma moça morena, olhos castanhos claros, pele alva, que transmitia uma calma incrível, a outra era uma ruiva, olhos verdes, exalando luxúria e paixão, as duas sentaram ao lado de Gabriel e a ruiva puxou assunto:

- Rapaz, te derrubaram do caminhão de mudança de novo é?

- Como? - Gabriel não entendeu nada.

- Oh Gabriel, deixa de ser tapado, tô falando que acabaram com o seu barato e com seus planos, porra.

- Como você sabe isso? Como você sabe meu nome? - o rapaz se assustara.

- Caralho, mas tú tá devagar hoje, pensa bem, olha pra gente, lembra o que você tava pensando e vai saber quem somos.

Foi aí que Gabriel se lembrou que estava xingando sua sorte e amaldiçoando tudo que era santo e anjo que conhecia. Será que ele tinha feito alguma besteira, teria se matado, já se perdia em pensamentos quando a ruiva interviu:

- Para de pensar besteira, tú não tá morto não, é que a gente não tinha nada pra fazer e veio bater um papinho.

- Bater um papinho?

- É, um papinho. Me diz uma coisa nem tudo está como você quer, não é?

- É.

- Você sempre leva um olé e continua em frente, mesmo quando não tem mais porque continuar, porque você faz isso, sempre que algo dá errado, ou você precisa de orientação você acaba perguntando pra si e pra Deus o que fazer, bem e agora o que Ele te responde?

- Não sei, Ele não responde com palavras.

- Mas se Ele não responde, como é que você sabe que é o certo? Se você não escuta as respostas como é que sabe que tem alguém escutando as perguntas? Você não acha que está sendo meio trouxa não?

- É olhando por esse lado, você está certa.

- Então me responde porque você continua levantando todo dia de manhã, se não sabe o que te espera, se ninguém te garante que tudo não passa da imaginação de outra pessoa, se nada lhe diz que a vida é pra ser vivida assim? Porque não mandar tudo pro espaço, dormir pra sempre, ou comer pra sempre, ou fazer sexo pra sempre?

Gabriel empacou, naquele momento não sabia o que responder, olhou para o outro lado e a morena continuava lá quieta, apenas olhando para ele com aqueles olhos sem fim.

- Você não fala nada? Não tem uma palavra pra defender Ele, pra me ajudar?

A moça sem dizer uma palavra, levantou-se, colocou a mão sobre o peito dele, deu-lhe um beijo suave na bochecha e olhou fundo nos olhos dele. Foi quando algo despertou nele e ele descobriu a resposta:

- Eu levanto todo todo dia, não porque eu acredito Nele, ou porque ELe acredita em mim, mas sim porque eu acredito em mim mesmo e isso é o suficiente pra saber que posso conseguir tudo que eu tenha realmente vontade de conseguir, mesmo que os obstáculos sejam enormes e mesmo que o resultado não seja o esperado eu saberei que fiz mais do que o meu possível.

As duas moças se entreolharam, olharam para ele, sorriram e desceram na estação seguinte. Gabriel pela primeira vez em tempos não sabia o que fazer, ou o que tinha sido aquilo, mas sabia que viesse o que viesse ele poderia encarar sem medo e com muita vontade.

Estação Tucuruvi, solicitamos a todos desembarcar nesta estação!



Escrito por Dark às 14h06
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